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Tendo iniciado o seu percurso expositivo em meados da década de 1980, José Pedro Croft (Porto, 1957) tem desenvolvido, nos últimos vinte e cinco anos, um universo autoral ímpar no contexto da escultura contemporânea.

Entendida como um vocabulário, mais do que como uma tecnologia, a escultura é, para este artista, não só um campo operativo com uma dada tradição e um conjunto de funções históricas, como também um campo de absoluta vitalidade e um lugar particularmente apropriado para testar, reformular ou destabilizar os protocolos que vão gerindo a nossa experiência do mundo material. Não é estranho, portanto, que uma parte significativa da produção de José Pedro Croft se tenha articulado num eixo de interesses que contempla, por um lado, as noções de monumento, de presença solene ou de corpo simbólico, e, por outro, os objectos e materiais do quotidiano, a sua carga vernacular e o seu estatuto concreto.

Com o conjunto de obras que agora apresenta no Chiado 8, o artista prolonga uma vertente da sua prática na qual a combinação de estruturas de cariz industrial com superfícies reflectoras faz deflagrar particulares disrupções perceptivas. Através destas, somos impelidos a reavaliar a forma como nos habituámos a pensar e a viver o espaço, as relações que nele se estabelecem e as representações que dele fazemos, mas também o modo como com ele interagimos e o que do próprio corpo se revela nessa particular interacção.

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