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Desde meados da década de 90, que Alexandre Estrela (Lisboa, 1971) se tem dedicado a manipular a nossa percepção. Empregando a estereoscopia, tirando partido das características específicas da câmara e do projector de vídeo para criar efeitos visuais surpreendentes ou geradores de equívocos perceptivos (feedbacks, drops), associando som e imagem de formas pouco expectáveis, ou simplesmente recorrendo a determinadas frequências sonoras (como a mítica brown tone), o artista tem vindo a associar rigores conceptuais, um grande conhecimento técnico e teórico dos suportes e técnicas que emprega, a sinapses inesperadas e a situações intrigantes.

Os seus vídeos obedecem a sistemas combinatórios complexos e sofisticados, conjugando memória, hábitos inconscientes, percepção, disposição do corpo. No entanto, este interesse nos jogos cognitivos, nas confusões entre realidade e representação, também tem vindo a ser explorado recorrendo à projecção de diapositivos, à escultura e ao desenho.

Este projecto para o Chiado 8, um conjunto de peças inéditas que pretendem materializar o medo, desmente qualquer tentativa para classificar Alexandre Estrela como um videoartista. Apesar de existirem duas projecções na exposição, elas remetem, como sempre no seu trabalho, para o aparato perceptivo do espectador, a sua localização no espaço, o que ouve e quando ouve, a forma como se desloca nas salas, aquilo com que se confronta imediatamente antes de ver os vídeos. As imagens projectadas, antes de serem peças autónomas, constituem-se como mais um elemento que contribui para essa espécie de grande escultura em que se transformou todo o Espaço Chiado 8, condicionando definitivamente a circulação dos visitantes: Alexandre Estrela decidiu alterar radicalmente o espaço, de forma a que a livre escolha do espectador, quanto ao modo como circula nas galerias, não seja sequer contemplada – no fundo, quis envolvê-lo, física e mentalmente, gerando deliberadamente determinados ritmos e tensões, enquanto cria uma intrigante estrutura narrativa.

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